sábado, 19 de novembro de 2011

A Granja Colares, Santa Bárbara do Pará.

Essa visita foi a melhor parte de minhas expedições por lugares esquecidos em Belém no último outubro. 
A Granja Colares é um lugar privado, e é com muita saudade dos velhos tempos e respeito à família Colares, que peço licença para fazer essa postagem.
Nossas famílias se conhecem há tempos, e desde criança eu frequento esse lugar, encravado numa porção de floresta nativa que ainda resta na região. A Granja funcionou à todo o vapor nos anos 80, mas o foco da postagem não é a granja, e sim um balneário particular que existe ao fundo dela. 
Na entrada, a qual só é feita sob a permissão da família, passa-se os silos, a casa da família, dos caseiros, e então entra-se num caminho ao redor dos galpões, muitos já não existem mais, pois a granja mudou de ramo e hoje produz ração para os criadores das regiões por perto.

O caminho de terra batida nos leva à uma entrada no meio da mata, na qual ele continua até o portal de entrada com um corredor até barracão central. Que é cheio de plaquinhas com dizeres simples sobre a vida e possuía várias estátuas de madeira, carrancas e quadros circulares de cerâmica pintados com paisagens amazônicas em sua decoração. Hoje só restam as plaquinhas e algumas estátuas quebradas.
O Barracão central tem toda a infra estrutura para reuniões. Eram clássicos os domingos na granja, muito sol, piscina, brincadeira e, claro, muito frango assado na brasa. Em junho acontecia todo ano, o aniversário do proprietário, e uma grande festa junina que começava no sábado e terminava no domingo acontecia. Do outro lado da piscina havia um redário onde aqueles que não aguentavam a noitada iam dormir.
A piscina foi feita de um igarapé represado. Inicialmente as paredes eram de tábuas, depois ela foi aumentada e feito um acabamento em sua borda em fibra de vidro azul. Solução muito interessante, conserva o piso de areia e dura. Até hoje está lá.
O redário, separado por sexo, possui no meio a proteção de duas santas, Santa Bárbara e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. As imagens, desgastadas por anos de exposição ao tempo, estão descoloridas, mas seus olhos de vidro continuam vivos como antes.

Em um dos lados da piscina represada há um parquinho fantasma, brinquedos enferrujados compõem uma paisagem surreal no meio daquela mata. Me levou imediatamente às lembranças vivas que tenho dali.

Seguindo pelo parquinho a gente dá para a entrada do caminho. Um passeio pelo meio da mata, com direito à ponte e pequenas casinhas de repouso e contemplação. tudo cercado por uma escala nada comum de árvores. São gigantescas, tapam a luz do sol em algumas partes. 
A água âmbar do igarapé contrasta com o verde das árvores. Tudo é muito mágico e silencioso. Apenas os sons da natureza, dos insetos, dos bichos nos cercam.
O caminho termina em um dos limites laterais da propriedade, uma boa oportunidade para me jogar nessas correntezas que nos limpam, nos lavam a alma e nos enchem de energia boa.
Obrigado amigos e irmão proprietários da Granja. 
Alex! essa postagem é em homenagem ao seu pai e a sua família. Obrigado por permitir, sempre que vou à Belém, que eu vá na Granja, faça dela a minha casa e leve meus amigos para conhecê-la. Todos se encantam com o lugar.

Postei algumas fotos antigas de lá, para lembrar dos momentos legais que passei com minha família.


quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Cemitério de Nossa Senhora da Soledad - Belém, Pará

    Entrar no Cemitério da Soledad (como é chamado) é esquecer o que tem em volta. É uma vigem ao passado, mais precisamente para 1850.
   Um surto de cólera, febre amarela e varíola matou mais de 30 mil pessoas em Belém do séc. 19. As cidades precisavam de saneamento e de cemitérios. O terreno que atualmente ele ocupa, não é um terço de seu tamanho original. pra quem conhece Belém, ele ia até o Manoel Pinto da Silva. 
    O que sobrou dele está hoje emprensado entre prédios e ruas barulhentas e poluídas. Tudo isso encobre uma história singular, tanto em sua inauguração, para abrigar os mortos das surtos, quanto em seu abandono. Em 1880, a composição de seu solo foi considerada indigna pelo seu governante e seus ilustres habitantes, que pensaram que o solo barrento não os merecia. E ele foi fechado. 
    Neste pequeno espaço, ou melhor, nesse museu a céu aberto, ainda restam alguns mausoléus e túmulos lindíssimos. Ecléticos em estilo neoclássico e gótico predominam. Uma cruz no corredor que leva da entrada à capela é o único obstáculo nesse corredor. Tudo está muito deixado à ação do tempo, mas mesmo assim ainda se realizam visitas (todas as segundas) e uma procissão de velas, de noite, realmente impressionante e sinistra. Pois as pessoas acendem velas pros túmulos e mortos, muitas vezes com os seus ossos expostos e suas urnas violadas.
    Na frente do Cemitério da Soledad, há um outro cemitério, israelita, também emprensado, num terretno muito menor. Na imagem do Google Earth, abaixo, à direita, entre os pontos amarelos, está o cemitério isrraelita, também abandonado.
Atenção especial para o pórtico da entrada principal. Qualquer semelhança com um egípcio, é mero ecletismo.


terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ruínas da Capela de Nossa Senhora da Conceição do Engenho Murucutu - Belém, Pará

O Blog andou parado, excedi a capacidade de dar uploads de imagens, parece que aumentaram minha capacidade. estou imensamente agradecido por todos os leitores e visitantes do lugaresesquecidos. O blog já anda sozinho faz muito tempo. Teremos participações muito legais de gente do Brasil que tá de cabeça na exploração urbana. Agradeço ao meus queridos colaboradores de Recife,
Que bom! pois fui à Belém do Pará, onde nasci, e fiz algumas explorações muito interessantes. Por serem bem diferentes entre si: uma ruína de uma capela de 1711, um cemitério eclético de 1850, e um balneário particular (pertencente a uma família só), dos anos 80. Vou começar pela capela.

Capela do Engenho do Muructu

Essa ruína é uma pérola encravada ali! no meio daquele mato denso e quente. A entrada principal está virada pro matagal, a gente entra pelos fundos. Naturalmente somos levados por uma entrada lateral, que já esboça o estilo específico de Antoni Landi, um arquiteto italiano que projetava uma mistura neoclássica com barroco tardio, ao qual foi atribuída o projeto do Engenho, pois já eram lá pelos seus 1750 (uns cinquenta anos antes da família real portuguesa abarcar no brasil e importar a missão francesa de artistas para construírem no Rio de Janeiro e inaugurarem o novo estilo arquitetônico no Brasil.
O Engenho Murucutu, ou o que sobrou dele, a capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição, data de 1711, dos padres mercedários, reformada na segunda metade do século 18 por Landi. Ele foi destruído nas guerras da Cabanagem, e foi um próspero engenho de açúcar, movido á vapor, e cheio de escravos (iuu!!). O lugar é pesado...

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Engenho Monjope - Igarassu - Pernambuco



Em 5 de junho de 2010 eu começei a postar, aqui no blog, a minha pequena coleção de imagens de lugares abandonados pelo mundo, juntamente com imagens da minha primeira exploração urbana: As Ruínas da UNB.
Com um ano de idade o Lugares Esquecidos está muito bem frequentado, leitores fiéis, amigos colaboradores de várias partes do Brasil, e a ótima missão de ser um point agregador de exploradores urbanos do nosso país.
E foi com o amigo LTW, explorador de carteirinha em Recife, que fiz essa exploração no lindo Engenho Monjope, no município de Igarassu, a poucos quilômetros da cidade de Recife. Um lugar fascinante, tanto pela sua história quanto pela beleza arquitetônica que ainda resta do complexo.
No aniversário de um ano do Lugares Esquecidos vou contar um pouco da exploração que fiz no engenho de cana de açúcar abandonado. Quero começar a postagem com fotos de poucas décadas atrás, que ainda mostram um Engenho Monjope ainda em pé. As imagens são dos anos 70 e 80, e em seguida separarei em partes a postagem: Casa Grande e Capela, Casa dos Escravos e Casa do Capataz, O moinho e os arredores.






Ao entrar no terreno percebe-se que o terreno sobe, e a poucos passos da entrada do portão, já se vê ao alto, escondidas no matagal, as construções do Engenho. Seguindo um caminho reto desde a entrada encontra-se a Capela e a Casa Grande.nas laterais as outras construções, e todo um sistema de captação de águas em piscinas e dutos que faziam o moinho fincionar. Águas de um rio que já não está mais lá, provavelmente desviado e canalizado pela companhia de águas de Recife. O Engenho, porém, ainda está lá. Gritando sua existência em paredes caídas, reforçadas para não tombarem de vez.



A área do Engenho Monjope foi doada pelo casal Antonio Jorge e Maria Farinha ao jesuítas, por volta de 1600. Os jesuítas usaram o engenho primeiramente para o plantio de subsistência e criação de gado. Sua produção de açúcar só começou em 1666. 
O Engenho Monjope, que era muito bem equipado, juntamente com o engenho Massangana transformou a capitania de Pernambuco, numa das mais prósperas do Brasil Colônia. Ele possuía a única roda metálica dos engenhos de toda a região. Depois da expulsão dos Jesuítas, ele foi arrolado pela coroa e comprado em leilão pela família Cavalcanti de Albuquerque, foi da Companhia Beberibe, que drenou seu rio, e pertenceu em seguida a Vicente Antonio Novelino.

Capela e Casa Grande
A capela, dedicada a São Pedro data de 1756, restaurada em 1816, e remodelada em 1926, por Vicente Novelino Filho, quando foi construída sua torre.
De longe já vi a Capela e a Casa Grande e algo me atraia muito rapidamente em direção daqueles dois prédios envolvidos por árvores e mato alto. Parti na frente deixando LTW um pouco para trás, era como um presente que recebia. Demos a volta na capela, mas sempre olhando para a Casa Grande que fica logo ao lado, separados apenas por um muro de balaústres, envelhecidos no limo.
O mato era muito alto, mas de repente conseguimos encontrar um portal que nos levaria ao escuro interior da capela, onde apenas morcegos habitam, juntamente com restos de materias de um ensaio de restauração do local, acontecido há tempos atrás e, um altar, lindo e colorido, que somente conseguíamos vê-lo nos flashes de nosssas máquinas e deum pequeno led de mão, levado por LTW. Anjos e morcegos pairavam sobre nós. Sentíamos o bater de suas asas em nossas cabeças... me senti numa outra dimensão.
A Casa Grande recebeu um reforço estrutural com vigamentos de madeira cujo objetivo é segurar as paredes. É o prédio em piores condições estruturais, um belíssimo sobrado colonial de dois andares.




























































































































































Casa do Capataz e Casa dos Escravos/Senzala
Esses prédios do complexo foram os mais modificados ao longo de sua história. Suas áreas internas foram adaptadas para receber vestiários e banheiros, em algum momento  esses dois prédios recebera outros usos.













































O Moinho e os arredores

A única roda de ferro existente nos moinhos brasileiros estava no Monjope, e ainda está. Ela é bem grande e fazia parte de um sistema de captação de águas, que se armazenavam em piscinas e dutos, que hoje estão secos. Aproveitava-se o caimento natural to terreno para captar e direcionar o fluxo d'água para a roda do moinho e, assim, fazê-lo funcionar. Ao lado do moinho há uma chaminé, que provavelmente era uma fornalha. Entramos em cada buraco que encontramos, fotografamos cada ruína existente no complexo. Há também uma casa logo na entrada, de construção posterior ás outras construções, lá encontramos seu Isaías, um senhor muito simpático que nos contou um pouco de suas experiências como vigia do Monjope. São 400 anos de história, prestes a se acabar. Lindo e triste ao mesmo tempo.
Grande obrigado ao meu amigo LTW que me levou lá e, juntos, fizemos essa visita inesquecível. Obrigado!

































































































Um pouco mais da história do Engenho Monjope e fontes:

http://www2.uol.com.br/JC/_1998/2604/cd2604n.htm

http://agenda-cultural-igarassu.blogspot.com/2010/05/engenho-monjope.html

http://dosaofranciscoaoamazonas.blogspot.com/2010/05/casa-grande-e-capela-do-engenho-monjope.html

http://instituto-historico-igarassu.blogspot.com/2009/10/igarassu-marco-da-colonizacao.html

https://sites.google.com/site/bitinhagames/engenhomonjope

http://www.myspace.com/552643004/photos/1264368#%7B%22ImageId%22%3A1264368%7D

E mais uma bela galeria de fotos do Engenho:

http://www.flickr.com/photos/ermo/sets/72157612336705792/

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