sábado, 5 de fevereiro de 2011

Patrimônio abandonado da família Othon - Casarão dos Othon - PE


Meu amigo, colaborador do blog, correspondente de Recife, o explorador LTW (Lost Tears Wisp, pra quem ainda não sabe) está desenvolvendo um projeto bem bonito de exploração urbana. Visitar, documentar, e nos mostrar o patrimônio abandonado da família Othon, sim, a dos hóteis! que existe em Recife e, claro, sentir aquele gostinho que a gente sente quando entra em um lugar abandonado. Vamos ao início dessa aventura. Postagens posteriores serão acrescentadas nessa seção do blog.

Parte I - O Casarão Othon
"A família Bezerra de Mello deixou algumas propriedades abandonadas em Recife. Construções que renderão uma série de relatos históricos e visitas.
Para começar, gostaria de falar sobre seu patriarca Othon Lynch Bezerra de Mello. Ao ver este nome, muitos associarão a rede de hotéis Othon, e com razão, afinal, falo justamente sobre seu fundador.
Contudo, na primeira etapa desta série, limitar-me-ei a primeira metade do século XX.

Conhecido no Recife como o "Coronel Othon", nasceu em Limoeiro/PE em 9 de fevereiro de 1880. Abriu sua primeira empresa, uma loja de tecidos em 1905. Em 1925 comprou a fábrica Tecidos Apipucos que veio a se chamar Cotonifício Othon Bezerra de Mello.

Ele construiu sua casa sobre um morro próximo a fábrica de tecidos, de onde podia ver boa parte da propriedade.
Diz a lenda que há um túnel ligando sua residência até as instalações fabris. Assim, ele poderia chegar e sair sem ser visto.

O proprietário morreu em 8 de fevereiro de 1970 (um dia antes de completar 91 anos). Após o fechamento da fábrica na década de 80, os herdeiros manifestaram pouco interesse na manutenção do patrimônio, limitando-se ao setor hoteleiro.
Lembro do início da década de 90 quando via a residência repousar silenciosa olhando para aquela fábrica que não mais trabalhava.
O casarão foi invadido e pilhado durante mais de 20 anos, restando apenas as paredes de pé em sua luta para resistir a ação do tempo e do abandono.
A visita ao Casarão Othon objetivou traçar como seriam os hábitos dos residentes durante as décadas em que a empresa operou a todo o vapor. Bem como descobrir se a lenda do túnel é verdadeira.
O portão da frente foi substituído por uma parede de tijolos uma vez que fora destruído por vândalos, logo ao lado há um portão de metal ainda original que guarda a entrada de veículos. A única forma de entrar seria pulando o muro.


Da rua é possível ver as ruínas. Notem o zoom detalhado. O movimento na avenida é intenso e com certeza eu seria visto se entrasse pela frente.



Na parte lateral do terreno, junto a fossa, existe uma abertura que dá para uma trilha que observei durante semanas. E tinha certeza que dava direto no casarão.


Claro, havia riscos a considerar. O local continua sendo ponto de encontro de viciados e deus sabe que outros tipos de elementos. Soube que a cerca de dois anos antes da data desta visita, um homem foi morto a pedradas após se desentender com os companheiros drogados. Não desejava de forma alguma encontrar algum elemento deste durante a exploração, afinal, estaria em risco muito mais do que o meu material fotográfico.
Assim, planejei bem o dia e horário que provavelmente o local estaria vazio.
Um certo sábado chuvoso, voltava do trabalho quando me veio a idéia de finalmente explorar o casarão. A trilha estava molhada, mas eu já estava de calçados adequados.
Quando a chuva diminuiu, fui até a entrada onde bati mais uma foto antes de começar a subir.



Logo ao iniciar a subida, escutei um homem gritar “Hei”. Sim... eu fui visto. Mas já não podia mais voltar. Subi pela trilha escorregadia enquanto batia mais fotos imaginando se estava ou não sendo seguido...




Fiquei impressionado com a facilidade que foi encontrar esta trilha. E de fato, a mesma fora usada muitas vezes por muitas pessoas, o que me lembrou o problema que já mencionei.

Ao chegar ao topo, observei sinais de civilização...


Muito mato, mosquitos e em alguns locais, um forte odor de fezes recentes. Fui me esgueirando aos poucos de forma a me certificar de que estava realmente só. A esta altura o casarão já podia ser visto.


A entrada dos fundos revela o corredor principal.


Pois é. Talvez o visitante com intenções mais nobres das últimas décadas e entrei pelos fundos.
A  casa está completamente sem telhas portas ou janelas. Algumas paredes também foram ao chão e o mato passa a tomar conta de tudo.

Nenhum som, nenhum sussurro... agora só há o passado.














A esquerda no corredor, revela-se um cômodo com algumas paredes com azulejos. Imaginei se seria um banheiro, mas está completamente desfigurado. Nota-se pelos tijolos que esta casa é realmente muito antiga.


Um grande terraço que pode ter sido palco de recepção de importantes figuras político econômicas do estado de Pernambuco dada a importância do pólo têxtil da época.


O então Coronel Othon, construiu sua casa de frente a fábrica e daqui podia repousar e contemplar sua obra.


Desci ao jardim, de onde pude observar melhor o meu próximo alvo de exploração.


E finalmente, contemplar a fachada do que hoje são apenas ruínas.


Retornei e fotografei algumas vezes mais. Segue a lateral vista mais uma vez dos fundos. Notam-se duas aberturas para aparelhos de ar-condicionado. O que revela pelo menos dois cômodos deste lado da casa.


Nos fundos há uma segunda casa que entendi abrigar a cozinha e acomodações dos empregados. Um armário embutido está em ruínas.


Notei alguns potes de barro que inicialmente imaginei serem originais da casa, porém, me foi levantada uma hipótese mais provável. São utensílios usados em despachos que certamente ocorram aqui.

E claro que haviam muito mais objetos. O local está cheio de garrafas inteiras, quebradas, embalagens de preservativos, o que se puder imaginar.


Na parte de trás, estruturas onde provavelmente eram lavadas as roupas dos proprietários.


Terminada a visita, retornei pela trilha atento a possíveis encontros. No caminho deparo-me com fato bizarro que não percebera durante minha subida apressada. Existem diversos brinquedos amontoados no meio do mato.
O estado deles leva a crer que não fazem parte dos objetos do casarão (não são tão antigos). Então, quem os trouxe e por que foram trazidos? Melhor nem pensar. Continuei a descida sem maiores problemas e desta vez sem ser visto.


Assim, concluo a visita ao Casarão Othon. Um local que mistura histórias de um passado de glamour e de decadência a sombra destas paredes que teimam em resistir.
E o túnel ligando a casa até a fábrica? Apenas uma lenda, claro...
Não existem projetos conhecidos de restauração. Infelizmente."

Aguardem as próximas matérias sobre as propriedades da família Bezerra de Mello, que simplesmente levam o nome “Othon”
LTW


Nosso amigo LTW avisa para os exploradores urbanos que há alguns riscos na visita às ruínas do casarão:
1) Encontro com pessoas potencialmente perigosas;
2) Encontro com mosquito da dengue. Repelente sempre! e;
3) Encontro com cachorros bravios.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Castelo Bannerman, Ilha Pollepel - NY

Ilha Pollepel, ou Ilha Pollopel, ou Ilha Bannerman, no Rio Hudson, é o local do Castelo Bannerman, e fica a 50 milhas ao norte de Nova Iorque, a 300 metros na costas leste do Rio Hudson. O castelo, hoje abandonado, foi usado como depósito de equipamentos militares. 
Francis Bannerman, nasceu em 1851, filho de imigrantes escoceses que começaram, no Brooklyn, um negócio de venda de excedentes militares, após o fim da Guerra Civil Americana. A loja aberta pela família, ajudou a equipar voluntários para a guerra hispano-americana (1897). Possuia um catálogo de mais de 300 páginas e foi, durante anos referência para colecionadores de equipamentos militares. 
Bannerman comprou a ilha em 1900 e construiu um castelo que servia tanto de sua casa, como de propaganda para seu negócio. Em uma de suas fachadas, a mais visível do outro lado do rio, ainda se vê inscrições gigantes em alto relevo que diziam "Arsenal da Ilha Bannerman".
A construção do castelo cessou com a morte de Bannerman em 1918 e, em agosto de 1920, 200 toneladas de pó de conchas explodiu em uma estrutura auxiliar, destruindo uma parte do complexo na ilha. Durante o século 20 seu império declinou e, em 1950, após uma tempestade, a balsa, que fazia o transporte até a ilha, afundou. O que restou do arsenal e da ilha, foi comprado pelo Estado de Nova Iorque, o qual promovia passeios turísticos pela ilha, até que um incêndio  devastou o castelo, o qual teve seus telhados, forros e pisos completamente destruídos, em 1969. 
Hoje a ilha faz parte da Secretaria Estadual de Parques, Recreação e Preservação Histórica, e está totalmente em ruínas. Apenas suas paredes externas permanecem, pois seu interior foi consumido pelo fogo. A ilha tem sido vítima de vandalismos e invasões, negligência e decadência. Em Dezembro de 2009, partes do castelo desmoronou. Mas visitas ainda são permitidas e guiadas. Tudo com capacete. Vamos agora fazer a nossa visita ao castelo.















































Links:

http://en.wikipedia.org/wiki/Bannerman's_Castle

http://bannermancastle.org/

http://amovablebridge.wordpress.com/2009/09/12/bannermans-island-tour/

http://www.apartmenttherapy.com/ny/look/look-house-tour-of-pollepel-island-013027

http://www.panoramio.com/photo/43506805

http://www.panoramio.com/photo/43506811

http://www.panoramio.com/photo/12176221

Vídeos sobre a ilha:

http://www.youtube.com/watch?v=2A8sWKsaIAM

http://www.youtube.com/watch?v=2A8sWKsaIAM

http://www.youtube.com/watch?v=WX7r9o9UrM4&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=nUZwfnAddek

http://www.youtube.com/watch?v=--_e0rwh1P8&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=K_X9hyoVmtk&feature=related

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